sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Silly Season

A minha crónica semanal no Jornal Torrejano.

Antigamente, o mês de Agosto era visto como a silly season, um tempo de frivolidade e um intervalo no conflito político e social. Como acontece em tudo na vida, a silly season não era para todos. Para muitos, mesmo no mundo ocidental, não havia lugar para a frivolidade, pois a vida impunha-lhes o peso das necessidades e não lhes dava intervalo para descansar das responsabilidades com que arcavam. No Portugal de hoje, neste país onde a generalidade da população vive à beira do colapso, haverá uma silly season muito especial.

É verdade que a moção de confiança apresentada no governo foi um exercício frívolo, embora não tenha sido uma patetice. Todos sabemos que a falta de legitimidade do governo não reside no apoio no parlamento, onde possui uma maioria confortável, agora recasada. A falta de legitimidade do governo é material e assenta em dois pontos. O primeiro diz respeito às promessas que fez para alcançar o poder e que pura e simplesmente rasgou no dia a seguir à vitória eleitoral. O segundo está ligado à base social de apoio ao governo, que está longe de ser maioritária. Mas o governo precisava, por indicação do Presidente da República, de encenar o número da legitimidade para poder continuar o conjunto de malfeitorias políticas que orientam a sua acção e assim organizar a silly season com que vai brindar muitos portugueses.

É esse objectivo – o de tornar a vida dos portugueses ainda mais precária e difícil – que será o programa da silly season deste ano. Há decisões que só se tomam quando as pessoas estão distraídas ou ausentes, como o estão a descobrir agora muitos professores que foram atirados para a mobilidade especial através de um simples expediente na organização do ano lectivo, e cuja orientação chegou às escolas já com o mês de Julho a terminar. Mas este é apenas um exemplo.

silly season de muitas portugueses vai ser de muita dor e sofrimento. Gente que perderá o lugar onde trabalhou uma vida inteira, gente que verá a sua empresa ir à falência, gente que descobrirá, sob o terrível sol de Agosto, que nunca mais terá trabalho, gente que verá chegar o fim do subsídio de desemprego, gente que um dia viveu com dignidade e que amanhã terá de viver de caridade. O terrorismo social que domina o governo não parará para férias. Trabalhará incansavelmente no seu programa predilecto, perseguir os mais pobres e destruir as classes médias. A silly season dos portugueses será apenas mais uma estação no longo calvário a que o actual governo, preso aos seus fanatismo e extremismo ideológicos, tem sujeitado o país.