quinta-feira, 6 de junho de 2013

Culpas e punições

André Masson - Alce devorado por cães (1945)

Não faço ideia o que terá motivado o FMI a admitir que errou no caso da Grécia. Mas compreendo perfeitamente que a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu não acompanhem o FMI no mea culpa. Se não acompanham o FMI não é por não quererem assumir os seus erros. Não acompanham o FMI porque, na verdade e na sua óptica, não erraram, antes pelo contrário. Acertaram, pois o objectivo seria mesmo dar uma lição aos gregos, destruir um país em dificuldades e pôr de joelhos uma população. 

Sejamos claros. Quando se querer limpar uma zona para que o jogo dos mercados se dê sem excesso de regras há várias maneiras de actuar. Se o lugar é pouco civilizado, fomenta-se uma primavera qualquer, manda-se o exército. Isso nas zonas mais inóspitas e menos dadas à civilidade. Em lugares mais civilizados, destrói-se o país através das finanças, desfazem-se as estruturas sociais, submete-se a população sob o comando das troikas. Que o FMI tenha agora vacilado é um mistério, mas que as gentes comandadas por Draghi e Barroso se mostrem avessas a assumir culpas mostra bem a natureza punitiva do ataque à Grécia, bem como a origem europeia da punição.