![]() |
| Artur Bual, Hoje VI, 1965 (Gulbenkian) |
segunda-feira, 13 de outubro de 2025
Nocturnos 132
sábado, 11 de outubro de 2025
Meditações melancólicas (96) Dissonância
![]() |
| Charles J. Martin, Storm Landscape with Railroad Tracks, 1929-1930 |
quinta-feira, 9 de outubro de 2025
Prosa dos dias (34) Os grandes acontecimentos
![]() |
| Thomas Hoepker, Celebrating the German reunification in Berlin. Waving the German flag at Berlin’s Brandenburg Gate. Berlin, Germany, October 3, 1990 |
terça-feira, 7 de outubro de 2025
Perfis 19. O leitor
![]() |
| David Turnley, Man Reading Paper Through Magnifier, 1975 |
domingo, 5 de outubro de 2025
O Silêncio da Terra Sombria (24)
sexta-feira, 3 de outubro de 2025
Terramotos, tsunamis e incêndios
quarta-feira, 1 de outubro de 2025
A mulher como problema político
Não é ainda muito claro na Europa, mas já o é bastante nos
Estados Unidos. O principal problema político que assola o mundo ocidental e
que fornece o combustível para a progressão da direita radical e da
extrema-direita é a mulher. Melhor: é o papel da mulher na sociedade. A
imigração tem surgido como um factor de arregimentação desses quadrantes
políticos. Contudo, para um observador mais atento são os direitos das mulheres
que estão a mobilizar muitos votos masculinos – em especial nos eleitores
jovens, mas não só – para soluções políticas radicais. Na Europa – talvez com a
excepção de Espanha – o problema é mais dissimulado, mas aquilo que está a
acontecer nos EUA chegará, mais tarde ou mais cedo, a este lado do Atlântico. A
retórica extremista usa a bandeira da luta contra o feminismo, mostrando este
como uma deriva radical. O que está, porém, em causa, o que mobiliza tantos
homens para a extrema-direita?
Em primeiro lugar, a autonomia sexual das mulheres. Não
tenhamos qualquer ilusão sobre o assunto. O facto de os homens não poderem, no
campo da sexualidade, dominar e impor a sua vontade às mulheres é um factor
perturbante para parte significativa do campo masculino. Um outro factor é a
escolarização. As mulheres, actualmente, têm uma mais alta escolarização do que
os homens. A importância da formação académica, nas sociedades actuais, é de
tal modo grande que está a gerar uma nova clivagem de classe entre pessoas com
formação superior – na sua maioria, mulheres – e pessoas sem essa formação.
Este é também um factor de ressentimento com muito peso no eleitorado
masculino. Por fim, o desaparecimento de empregos, relativamente bem
remunerados, que solicitem competências vistas como masculinas, baseadas na
força física, criando um problema aos homens que apostaram pouco nos estudos.
Estes três factores – todos eles presentes nas sociedades ocidentais – estão a gerar uma radicalização política de parte dos homens, cuja finalidade é limitar os direitos das mulheres, tentando fazê-las retornar a um estado de dependência, limitando drasticamente a autonomia sexual, profissional e, plausivelmente, académica das mulheres. E isto pode mesmo acontecer, caso as mulheres e as forças democráticas não se mobilizem para enfrentar o problema. Esta deriva antifeminina é um sintoma da decadência do Ocidente. Os eleitores estão mais preocupados em voltar ao século XIX – sonhando com fadas do lar – do que enfrentar os grandes desafios que a revolução tecnológica e a afirmação de potências industriais, políticas e militares extra-ocidentais colocam. Uma fantasia, mas fantasias têm colocado ditadores no poder.
segunda-feira, 29 de setembro de 2025
Comentários (32)
![]() |
| Anónimo Romano, Escena de gineceo (Villa Imperial. Pompeya) |
quarta-feira, 24 de setembro de 2025
A persistência da memória (32)
![]() |
| Dr. Konrad Biesalski e Dr. Krüger, Schmied Am Ambos, 1899 |
sábado, 20 de setembro de 2025
O Silêncio da Terra Sombria (23)
quinta-feira, 18 de setembro de 2025
Linguagem comum
terça-feira, 16 de setembro de 2025
Simulacros e simulações (75)
domingo, 14 de setembro de 2025
Beatitudes (82) Jogo
![]() |
| John Dumont, The Dice Players, 1891 |
sexta-feira, 12 de setembro de 2025
Sondagens e destinos
quarta-feira, 10 de setembro de 2025
O Silêncio da Terra Sombria (22)
segunda-feira, 8 de setembro de 2025
Ensaio sobre a luz (131)
![]() |
| A. R. Gurrey Jr., Old ocean singing a psalm of of delight…, 1910-1920 |
sábado, 6 de setembro de 2025
Esquerda, uma crise estrutural
quinta-feira, 4 de setembro de 2025
Nocturnos 131
![]() |
| Paul Cézanne, Château Noir, 1903-1904 |
terça-feira, 2 de setembro de 2025
Ciência e democratização da opinião
Este democratismo das redes sociais, ao dar força a
movimentos como os acima referidos, veio revelar o carácter aristocrático do
conhecimento científico. Este é produzido e compreendido por uma elite, um
clube seleccionado que, para entrar nele, exige longos anos de preparação e um
conjunto não pequeno de provas ao longo do caminho. Isto significa que a maior
parte de nós – quase todos – não está habilitado para trabalhar em ciência, e
mesmo aqueles que estão, estão apenas num ramo muito específico. O que acontecia,
antes das redes sociais invadirem o panorama da intercomunicação humana, era
que havia um respeito tácito, veiculado pela comunicação social e pelos valores
da sociedade, pelos esforços desses homens e mulheres que dedicavam uma vida ao
conhecimento. Presumia-se – e com razão – que sendo especialistas, tinham uma
autoridade real para falar sobre a sua área, fossem vacinas, cancro de pele, ou
física nuclear.
O que se assiste é uma revolta da plebe – ou dos sans-culottes,
caso se prefira a França da Revolução ao Império Romano – contra o patriciado
ou a aristocracia do conhecimento científico. A revolta tem uma característica
específica. Não apenas pretende ter voz sobre assuntos de natureza científica,
como quer ter o poder da autoridade: as suas crenças, sem qualquer validação,
são a verdade e a ciência, com o seu laborioso e controlado processo de
produção de conhecimento, não passa de uma mistificação. Estamos a assistir a
um teste terrível dos efeitos da liberdade de expressão. Até que ponto a
ciência e o conhecimento racional podem sobreviver a estes ataques irracionais?
Não é apenas ao nível político, com a erosão das democracias, que as redes
sociais geram problemas. Também são um factor de turbulência para a ciência e
para os benefícios que os seres humanos podem tirar dela. Já não é impossível
pensar que uma nova Idade das Trevas esteja no horizonte.





.jpeg)







