sábado, 23 de junho de 2012

Toiro

Roberto Domingo - Al natural

Um instante mais, um passo errado, o súbito inebriamento trazido pelo sangue. Vem, vem, irmão. Toda a tua morte é a minha vida, o teu sangue alimenta-me, cresce em mim, dá-me a força para fugir da arena, dos acenos da afición, dos olés tresloucados. Odeio pasodobles, odeio a multidão que espera a tua morte, odeio cada triunfo sobre ti. Eis o instante, não te deixes enganar pela ilusão da capa, pelo langor da minha arte. Vem, anjo negro da morte, troco o meu sangue pela tua vida, a minha morte pelo teu triunfo. Eh toiro, toiro, eh toiro…