terça-feira, 17 de maio de 2016

Uma educação liberal

Juan Botas - School (1989)

A educação deve ter um cariz liberal. O termo liberal aqui deve ser entendido como o era na Idade Média, em contraponto com a servidão. Nessa educação liberal, o fundamental é a conversação e o contacto com as grandes obras, os clássicos, e também com grandes professores. A educação deve servir para levar cada um a extrair o melhor que há em si. De certa maneira, não há educação que não vise uma certa aristocratização do educado. Deste ponto de vista, toda a educação deve ser nobilitante. Embora, a partir de um certo grau de ensino comum, os percursos se devam diferenciar conforme as aptidões de cada indivíduo. Mas desde que uma criança entra na escola deve-se-lhe propor como horizonte o tirar de si aquilo que tem de melhor, seja uma vocação científica, técnica, política, artística ou outra dentro do que é determinado como socialmente aceitável.

Só esta educação, que é verdadeiramente uma educação do carácter através da aquisição de um currículo, pode tornar os homens livres e capazes de iniciativa. Só uma educação liberal e democraticamente aristocrática, assim entendida, é capaz de gerar respeito pelos valores da democracia. Se se falhar nisto, em vez de homens livres, formar-se-ão escravos. Escravos dos seus próprios desejos, incapazes de uma satisfação diferida, e escravos dos outros a quem se venderam por falta de carácter e incapacidade de resistir a si mesmos. O actual debate sobre o financiamento público ou não das escolas privadas é importante. No entanto, o grande debate fazer é para que serve a educação. Qual a grande finalidade que deve estar presente, como orientadora, do investimento em educação. Isso deixou de ser claro, se alguma vez o foi, há muito.