terça-feira, 6 de março de 2012

Poema 27 - A noite vergou os ramos ao seu peso

A noite verga os ramos ao seu peso
E as árvores, exaustas, escurecem,
Perdidas entre traços de luz,
Que se desprendem de ermos solitários.

O silêncio troa nos teus ouvidos,
Desce-te pelo corpo,
Procura na discórdia da pulsação
Um lugar para sentir a voz do medo.

Eu, também olho surpreso as trevas,
Mas respiro a plena solidão vazia
Que nasce da seiva cantante da tua voz.

Uma onda de musgo cobre as ruas,
E os teus dedos são ramos dobrados
Pela noite que desce do meu coração.