| Bartolomeu Cid dos Santos, Velhos guerreiros tentando iludir o medo (Gulbenkian) |
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024
Uma alucinação
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024
Ensaio sobre a luz (113)
| Jan Van Goyen, Village Street, 1628 |
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024
A campanha eleitoral
Pede-se que as campanhas eleitorais sejam esclarecedoras, o que pressupõe a existência de um público a ser esclarecido. Esta ideia de esclarecimento está ligada à ideia de verdade. Esclarecer significa permitir aos eleitores o acesso à verdade. Se as campanhas eleitorais visassem o esclarecimento e, através dele, o acesso à verdade, então elas tornar-se-iam numa espécie de encontros filosóficos, nos quais os vários agentes políticos se empenhariam, de modo cooperativo, a eliminar os erros para que a verdade brilhasse. Esta ideia é absurda. As campanhas eleitorais não visam a verdade, mas o convencimento. Os políticos não querem esclarecer os eleitores, mas persuadi-los a votar no seu partido, a sufragar o seu programa para poderem chegar à governação. Isto é assim, porque a verdade não é o que está em jogo na política.
Para o cidadão, o que está em jogo na política é a justiça. Contudo, uma concepção de justiça não é mais verdadeira que outra. Um partido que defenda que é injusto cobrar impostos progressivos (quanto mais rendimentos, maior percentagem de impostos se paga) para auxiliar os mais desfavorecidos não tem uma posição mais verdadeira do que um outro partido que se proponha cobrar impostos progressivos, para que a sociedade seja menos desigual. Não se pode afirmar que uma destas ideias de justiça é mais verdadeira que a outra porque não existe nenhuma definição universal de justiça que informe de modo absoluto o que ela é. Os cidadãos vão escolher uma ou outra baseados ou no seu interesse pessoal ou no seu sentimento particular do que é a justiça, mas não porque a campanha eleitoral o informa da verdade. O que ela faz é persuadir os eleitores apelando aos interesses e sentimentos pessoais.
Para os agentes políticos, o que está em jogo é o poder, alcançá-lo ou não o perder. Isto não significa que os políticos não tenham ideias e visões políticas sobre o que é a sociedade justa. Significa apenas que sem o poder qualquer visão política é impotente. Os políticos, na campanha eleitoral, não estão preocupados com a verdade, mas com o poder. Agirão para o conquistar. A sua acção não quer esclarecer os eleitores do que é a verdade dos assuntos políticos, mas convencer que são os melhores para realizar os interesses dos eleitores ou para satisfazer os seus sentimentos sobre o que é a sociedade mais justa. Em caso nenhum, porém, a campanha eleitoral tem alguma coisa que ver com a verdade. Na realidade, é um exercício publicitário de manipulação das consciências, sendo uns políticos mais boçais, sendo outros mais sofisticados.
sábado, 3 de fevereiro de 2024
VII Galamb Borong
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024
A nova radicalização dos jovens
Parece existir um fenómeno de atracção entre os jovens – fundamentalmente, do sexo masculino – pelo Chega. Estamos perante uma radicalização política de parte das novas gerações. O que as mobiliza é o extremismo das propostas, a contestação do outro, a oposição à igualdade das mulheres (um aspecto relevante na radicalização dos rapazes), o questionar das instituições democráticas e da própria democracia liberal, a coreografia e os rituais políticos, a continua transformação de adversários políticos em inimigos. Pertenço a uma geração que, na sua juventude, há cinquenta anos, se radicalizou politicamente, defendeu utopias e soluções políticas que, se aplicadas, seriam tenebrosas, como serão tenebrosas as soluções políticas da extrema-direita. Haverá entre ambas as radicalizações alguma diferença?
Há uma diferença moral acentuada. Os motivos da radicalização são muito distintos. A radicalização da minha geração foi feita em nome de um mundo melhor, onde as injustiças não tivessem lugar. Foi feita em nome da emancipação das pessoas, da igualdade da mulher, do direito dos povos à sua autodeterminação, da abolição do peso que a classe social de origem tinha no destino de cada um. As nossas soluções eram más, odiosas, como viemos a descobrir, mas aquilo que nos levava à acção política era ainda uma reverberação da moral cristã, na qual muitos de nós, apesar de ateus na época, tínhamos sido educados. Procurávamos o bem da comunidade, não o nosso próprio bem. Tínhamos a ilusão de poder construir o céu na terra. Havia em nós um impulso metafísico para criar um mundo onde o mal fosse abolido.
Quando olhamos para as causas da extrema-direita, causas que seduzem tantos jovens, percebemos o grau de decadência a que chegou a influência da moral cristã. Por muito que os dirigentes do Chega vão à missa e se benzam, o que defendem está em profunda contradição com essa moral. Não é por acaso que o actual Papa é odiado em muitos sectores da extrema-direita. A atitude perante os imigrantes, o racismo latente, ou manifesto, no discurso, o ódio ao outro, um machismo mais ou menos manifesto, a tentativa sistemática de enlamear os actores políticos de outras áreas, o apelo a um nacionalismo perigoso, a negação daquilo que na nossa história há de obscuro e humilhante para os outros, tudo isto são causas moralmente inaceitáveis. São causas que deveriam envergonhar as pessoas, mas que as mobilizam. Esta é a grande diferença entre o radicalismo das duas gerações de jovens radicais. A primeira era má pelas suas consequências, mas não pelas suas intenções. A actual é má também pelas suas intenções. E isso é muito preocupante.
terça-feira, 30 de janeiro de 2024
Beatitudes (65) Canto sagrado
| Constante Puyo, Chant Sacré, 1900 |
domingo, 28 de janeiro de 2024
A persistência da memória (28)
| Alfred Stieglitz, A wet day on the boulevard - Paris, 1897 |
sexta-feira, 26 de janeiro de 2024
Simulacros e simulações (59)
| Júlio Resende, sem título, 1948 (Gulbenkian) |
quarta-feira, 24 de janeiro de 2024
VI Automne à Varsovie
| Fernando Azevedo, Ocultação, 1950 (Gulbenkian) |
árvores de outono tão escuras
se férvidas abrem-se nas manhãs
se frias jazem negras e impuras
amarelas da negra morte irmãs
pássaros em voo raso
segunda-feira, 22 de janeiro de 2024
Nocturnos 113
| Ernst Ludwig Kirchner, Night Moon; Accordion Player by Moonlight, 1924 |
sábado, 20 de janeiro de 2024
Os novos revolucionários
O desfile de personalidades de diversas proveniências convertidas ao Chega tem sido um espectáculo admirável. Trata-se da radicalização de parte da direita portuguesa. Vale a pena estabelecer uma comparação com o Bloco de Esquerda. Quando nos finais dos anos noventa do século passado, o BE foi fundado, assistiu-se também a uma conversão. Contudo, essa conversão teve um sentido bem diferente. Duas das três organizações que deram origem ao BE vinham da extrema-esquerda, a UDP e o PSR. O novo partido representou um corte com um passado radical e permitiu a entrada no sistema da democracia liberal de muitos militantes que tinham estado, de certo modo, na sua margem. Quando há uns tempos Catarina Martins disse que o BE era uma organização social-democrata, apenas sublinhou uma evidência.
Muitas pessoas que estavam em partidos moderados da direita portuguesa decidiram sair do armário e entrar numa via de radicalização. Esta radicalização não está apenas na linguagem contra os ciganos e os imigrantes, não se fica pela coreografia desrespeitosa das actuais instituições portuguesas. Encontra-se no objectivo político central que é perseguido. A destruição das actuais instituições e a fundação daquilo a que Ventura chamou a IV República, embora isso tenha sido apagado do discurso público. A ideia que actualmente se pretende passar, de que o Chega é um partido conservador, só pode enganar quem não tenha a mínima noção do que é o conservadorismo. O que está em jogo é destruir o legado do 25 de Abril de 1974. Portanto, uma espécie de revolução, ou, melhor, de uma contra-revolução.
Com honrosas,
mas raras, excepções, as direitas portuguesas mantiveram-se fiéis à ditadura de
Salazar e de Caetano. O PSD e o CDS fizeram um trabalho notável de integração
dessas direitas no regime democrático. Com o tempo, foi-se consolidando uma
direita democrática, respeitadora das regras da democracia liberal e de
orientação europeísta. Contudo, a direita antidemocrática nunca deixou de
existir. É ela que, ao perceber que Ventura tem capacidade de penetrar no
eleitorado, corre afogueada para os seus braços. É uma direita que nunca
estimou o jogo democrático, nem as liberdades fundamentais consagradas na
Constituição. Talvez, em muitos dos aderentes mais sofisticadas, nem haja
grande respeito por Ventura e pela coreografia populista com que se apresenta,
mas perceberam que lhes pode ser útil, no seu desejo de radicalizar a vida
política e minar os alicerces do regime democrático. É preciso não esquecer que
a ideia de revolução não existe apenas à esquerda. Também existe à direita e
foi ela que deu origem ao salazarismo.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2024
Julien Gracq, A Costa das Sirtes
Publicado em 1951, A Costa das Sirtes (Le Rivages des Syrtes) é o mais conhecido romance do francês Julien Gracq (pseudónimo literário de Louis Poirier). Foi traduzido para português por Pedro Tamen e publicado pela Vega. A primeira edição portuguesa, sem data, está esgotada, mas ainda será possível encontrar a reedição de 1988. O romance valeu ao autor o prémio Goncourt, aliás recusado. O romance escrito numa linguagem que o aproxima da prosa poética é resultado de uma trama onde o destino do indivíduo se entretece com o da comunidade a que pertence. Não estamos perante um herói burguês voltado para a acção triunfal, mas de um aristocrata que encarna o espírito de uma comunidade, cujo desejo inquietante se manifesta no coração de Aldo, o herói e narrador. Num mundo imaginário, dois países – Orsenna, a cidade-estado aristocrática a que pertence Aldo, e Farghestan, a potência bárbara e desconhecido, separados pelo mar das Sirtes – entretêm uma inimizade ancestral, estando em guerra há séculos, mas desde há trezentos anos que não há uma batalha. A guerra parece sempre o destino que espera Orsenna, mas um destino que não se consuma.
Deste destino que não se consuma nasce uma expectativa na própria comunidade. Há todo um comportamento ritual para evitar a deflagração de um conflito com o inimigo de sempre, com os bárbaros do outro lado do mar. A existência de um estado de guerra adormecido, mas continuamente presente, torna-se uma estranha inquietação. No segredo dos corações, há um desejo de afrontar e tornar presente esse destino sempre anunciado e sempre adiado. É neste ambiente que Aldo, cansado do tédio da sua existência na capital, pede para ser incorporado no serviço militar. É enviado como observador, um cargo de acordo com a sua posição social de aristocrata, para as Sirtes, para o Almirantado, onde estão as tropas de Orsenna que têm por missão vigiar o mar e evitar que alguém ultrapasse a linha imaginária que sustenta a paz reinante. A ultrapassagem dessa linha porá fim ao torpor da história. Tanto o edifício do Almirantado como a região vivem numa grande degradação, como se aquela região nos confins de Orsenna tivesse sido abandonada pelo centro, esquecida pelos poderes públicos. É nesse ambiente de desolação que Aldo sente uma atracção pelos mapas da região, o que inquieta o comando do forte, que vê nesse interesse uma ameaça ao status quo.
O tédio de Aldo condu-lo à necessidade de se aventurar para além da linha imaginária que pode conduzir à guerra. Contudo, não é apenas o seu estado de espírito que o move. O encontro com a jovem princesa Vanessa Aldobrandi, cuja família tem um palácio em Maremma, uma espécie de Veneza das Sirtes, uma Veneza degradada, tem um papel fundamental na conduta de Aldo. Ela é uma Eva que tenta aquele Adão, já de si desejoso de ser tentado. A família de Vanessa é vista como tendo, em tempos, estado conluiada com os inimigos de Orsenna, talvez seduzida pela natureza estranha do inimigo. Vanessa traz no sangue essa propensão para o que será uma traição. Também ela não suporta a expectativa, a paz que nunca é uma verdadeira paz alicerçada numa amizade entre ambos os países, mas uma ausência da guerra, que a qualquer momento poderá eclodir. A sedução de Aldo por Vanessa é um elemento central da narrativa de Gracq, embora não seja claro que sem essa sedução Aldo tivesse evitado a aventura que o lea à transgressão da linha imaginária.
É plausível pensar que aquilo que move os dois jovens é diferente. Vanessa age por fidelidade a uma tradição de traição, de aliança, ainda que meramente subjectiva, com o inimigo. Aldo encontra na aventura que desencadeará a guerra que destruirá Orsenna uma forma de dar sentido à sua existência, de o raptar do tédio de uma vida perdida entre prazeres e sem objectivos que não sejam estar vivo e manter a situação tal como está há séculos. A transgressão é uma forma de combater o tédio e dar um sentido à existência do jovem aristocrata. Contudo, a transgressão de Aldo ultrapassa-o, pois ela responde a um silencioso e inquietante desejo de transgressão dos habitantes de Orsenna. A transgressão resulta da incapacidade de viver continuamente numa tensão entre o que existe e aquilo que ameaça vir a existir, mas que adia constantemente a hora da sua manifestação. Na verdade, não é o tédio de Aldo que arrasta Orsenna para a guerra, mas o desejo secreto de guerra existente no coração de Orsenna que se manifesta no tédio e na transgressão de Aldo. Há um desejo de suicídio colectivo. Já ninguém suporta a expectativa, pois o desejo de enfrentar aquilo que está destinado a acontecer tomou conta dos espíritos. O acontecimento apocalíptico que se deseja secretamente é a outra face da revelação do próprio destino da comunidade e dos indivíduos que a compõem.
Julien Gracq refere que o seu objectivo em A Costa das Sirtes não foi contar uma história intemporal, mas destilar aquilo a que chama o “espírito da história”. A estratégia usada para esse destilar do “espírito da história” vive numa tensão tempo e intemporalidade. A linguagem descritiva da paisagem das Sirtes, acentuadamente poética, dá a ver um mundo marcado pelo tempo, um mundo onde as ruínas parecem omnipresentes, mas fá-lo de uma forma tal que esse mundo parece ter sido elevado à condição da imutabilidade. A imutabilidade, a ausência de mudança, é um sintoma da intemporalidade. É nessa aparente intemporalidade que se manifesta o “espírito da história”. A história, sublinha-o Gracq, possui um feitiço oculto, o qual possui a virtude, isto é, o poder de intoxicar. É esta intoxicação que toca os habitantes de Orsenna e anima Aldo na luta contra o tédio. É ela que precipita o inevitável e põe o motor da história a trabalhar. E sempre que se ouve o motor da história rodopiar há uma consumação do destino. Por norma, essa consumação é um desastre, o desastre que de alguma forma se esperava e, no fundo, se desejava.
O romance, publicado como se referiu em 1951, pode ser uma densa meditação a posteriori sobre o destino de uma Europa marcada por duas grandes guerras, É provável que, na época em que surgiu nas livrarias, assim fosse lido. O mais curioso, todavia, é que a sua leitura nesta hora revela uma outra faceta da obra. O que capta o espírito do leitor não é tanto a meditação sobre o passado da Europa, mas o retrato do tempo presente, como se nós, os europeus, fôssemos os habitantes de Orsenna e perante nós se erguesse a imagem de um destino que se teme e ao mesmo tempo se deseja. Também nós temos o nosso Farghestan, com o qual estamos em guerra, apesar da paz aparente em que vivemos. Esperamos apenas o Aldo que encarne o nosso desejo de destino e precipite aquilo que, no fundo, todos sentem como inevitável. A Costa das Sirtes, apesar de escrita há quase 75 anos, parece-nos dirigida. Resta saber se o romance de Gracq nos é dirigido como um aviso ou como uma profecia.
terça-feira, 16 de janeiro de 2024
O progresso moral da humanidade (15)
| Amadeo de Souza-Cardoso, O príncipe e a matilha, 1912 (Gulbenkian) |
domingo, 14 de janeiro de 2024
V Arc-en-ciel
sexta-feira, 12 de janeiro de 2024
Ensaio sobre a luz (112)
| Eugene Louis Boudin, Harbor at Bourdeaux, 1874 |
quarta-feira, 10 de janeiro de 2024
Comentários (15)
| Júlio Pomar, Cegos de Madrid, 1957 (Gulbenkian) |
segunda-feira, 8 de janeiro de 2024
Romper o consenso
| Pablo Picasso, Guernica, 1937 |
sábado, 6 de janeiro de 2024
Voltar à menoridade
Cerca de 50% dos americanos entre os 18 e os 45 anos não acham que a democracia seja a melhor forma de governo. Metade das novas gerações está disponível para viver sob um regime autoritário. Isto nos Estados Unidos, uma das democracias mais antigas e consolidadas do planeta, uma nação intrinsecamente democrática, onde um complexo jogo de checks and balances tem por função limitar o poder dos três ramos de acção política, o executivo, o legislativo e o judicial, para que nenhum deles possa exorbitar e pôr em causa a liberdade dos indivíduos, que é aquilo que está sempre em jogo numa democracia liberal. As novas gerações americanas estão cansadas da democracia. A atracção dos jovens pelo autoritarismo é uma tendência geral das democracias, incluindo a portuguesa. Haverá múltiplas causas para este fenómeno. Deixo de lado as que parecem mais óbvias. Centro-me em duas. A insipidez da democracia e o peso da liberdade.
Os
regimes democráticos não propõem aventuras colectivas, não apresentam grandes
desígnios que mobilizem as pessoas e dêem um sentido à vida. Cada qual tem a
liberdade de encontrar um desígnio e um sentido para a sua vida, de a tornar
mais sensata ou mais aventurosa, de acordo com a sua consciência. O desígnio
das democracias é o de não impor qualquer desígnio às pessoas, deixando-as
viver os seus próprios projectos, oferecendo-lhes apenas a aventura da sua
própria liberdade. Esta insipidez democrática, contudo, não responde a uma
certa pulsão existente nos seres humanos, enquanto jovens, para a aventura
colectiva, para mergulhar na massa e deixar-se encantar pelos cantos de sereia
dos desígnios colectivos, onde a individualidade se dissolve.
Um segundo motivo é a derrota do Iluminismo. Kant, à pergunta O que é o Iluminismo?, respondeu: “lluminismo é a saída do homem da sua menoridade de que ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento sem a orientação de outrem.” As novas gerações parecem, em parte, já não suportar o peso de serem responsáveis pelo seu destino. A liberdade tornou-se um fardo, porque dá a cada um a responsabilidade pelos seus êxitos e fracassos. Muitos povos evitaram esse fardo e entregaram-se sempre nas mãos de um déspota. Outros, porém, decidiram correr o risco da liberdade política e do regime democrático. Em lado nenhum se viveu melhor do que aí, mas parece que o fardo da liberdade está a ser demasiado pesado para parte das novas gerações. Querem continuar na menoridade e parecem precisar de alguém, um ditador, um déspota, que pense por elas. É isso que desejam e é isso que estão a preparar.
quinta-feira, 4 de janeiro de 2024
IV Fanfares
| Carlos Botelho, Tejo e a ponte, 1968 (Gulbenkian) |
o respirar do vento sobre o rio
nas casas incendeiam-se janelas
onde voraz ânimo gera o frio
se digo luz a
voz clama
ó noite o fogo te chama
[Quinze poemas sob música de György Ligeti, 2007]
terça-feira, 2 de janeiro de 2024
Ensaio sobre a luz (111)
| Maria Beatriz, Vita Brevis (série), 2000 (Gulbenkian) |