quinta-feira, 29 de março de 2012

Poema 33 - O sol, negro símbolo do castigo


O sol, negro símbolo do castigo,
Sintoma e prova da expulsão do paraíso.
As casas arfam na madrugada,
E as ruas exalam alcatrão derretido.

Sonho com montanhas e água, neve fria.
Sonho com um tempo transfigurado.
Vejo andores e santos pela praça,
Uma dança tribal na paisagem cansada.

Ó deuses solitários tende piedade.
Uma canção, no horizonte longínquo,
Um sonho, prece na forja do tempo.

A primavera regressou. E vós deuses
Dizei-me: onde está o vosso poder,
Onde a água que o inverno roubou?