terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Poema 19 - O riso na noite sem fundo


O riso na noite sem fundo
Cresce nas portas da primavera.
Triste animal preso ao mundo,
Olho da janela coberta de hera.

Que palavra dirá das coisas o ser?
O silêncio que me fazem escutar
Ergue-se como a dor que hei-de sofrer,
Ao fugir da terra para o mar.

E de tudo o que é nada saberei,
Nem das coisas conheço a lei.
Vazio, caminho perdido na floresta,

Lobo solitário olhando o que resta.
Numa mão, o que acreditei um dia;
Na outra, o medo; em mim havia.