sábado, 18 de fevereiro de 2012

Um exercício de desilusão contínua


Este tipo de discurso é, ao mesmo tempo, inevitável e inútil. O que pode dizer o líder da oposição sobre o governo? Nada, ao não ser ociosidades idênticas às que disse o dr. Seguro. A inutilidade advém, todavia, do facto de o princípio de esperança ter caducado enquanto princípio político orientador da acção governativa. Os governos não têm por finalidade dar esperança às pessoas, mas o contrário. A sua função é retirar-lhes a esperança ou qualquer outra ilusão sobre o futuro. A esperança fica guardada para a religião. A política tornou-se, no mundo global, um exercício de desilusão contínua. Aquela injunção de Passos Coelhos para que os portugueses não sejam piegas não foi um acto falhado, mas a expressão clara do fim do princípio de esperança e a consciência nítida disso. Seguro, como primeiro-ministro, não poderia dizer coisa substancialmente diferente.